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Como
começar... |
Quase todas as pessoas
gostam de aves, seja um pequeno canário na varanda
ou um conjunto sério de reprodutores valiosos.
Como começam pode variar, alguns seguirão os passos
de familiares outros de amigos e outros ainda,
como é o meu caso, entram neste mundo um pouco
por acaso entusiasmados por pequenas coisas que
vão aumentando cada vez mais até que estamos totalmente
cativados.
Na minha opinião
não devemos começar por impulso a comprar aves
que não conhecemos, geralmente mais caras. É preferível
começar por espécies mais acessíveis e ir ganhando
experiência pois acreditem que por muito que se
leia só com o tempo aprendemos muita coisa. Além
disso não conheço nenhum criador que se tenha
proposto a começar logo com 100 ou 200 aves até
porque a quantidade não diz nada e por vezes são
melhores criadores pessoas que apenas têm 10 ou
12 casais. (por acaso até conheço,
contudo é uma excepção...)
O que é necessário
para começar:
Antes de começar
devemos adquirir um bom livro sobre aves e, se
possível, trocar ideias e opiniões com criadores
ou amigos.
A partir dai,
e conscientes do que procuramos, vamos decidir
se queremos apenas um cantor ou um animal de estimação
e usaremos os "truques" que formos aprendendo
para o manter de boa saúde. Caso queiramos iniciar-nos
na criação devemos escolher a espécie com cuidado
pois nem todas são fáceis de criar sem se conhecerem
alguns "segredos".
Para o iniciado
que deseje começar na reprodução aconselho 1 de
três espécies: canários, periquitos ou mandarins.
São todas elas relativamente fáceis de criar e
pouparão alguns falhanços e as inevitáveis desilusões.
Mesmo assim há
que ter atenção a alguns factores, as aves que
podemos adquirir em lojas nem sempre serão de
melhor qualidade. Com estas espécies é relativamente
fácil vender ou trocar as primeiras crias o que
não sucede com espécies mais exigentes, para as
quais o mercado é quase sempre mais reservado
aos "verdadeiros" criadores, mais experientes.
Diria por fim
que em todas estas espécies a variedade de cores
podem mesmo dar algumas noções básicas de selecção
que poderão ser muito úteis no futuro, quando
nos nossos objectivo entra a competição.
De entre elas os periquitos serão
talvez a primeira escolha porque são coloridos,
relativamente domesticáveis e fáceis de manter,
mas atenção que os periquitos que vemos vulgarmente
não têm rigorosamente nada a ver com o periquito
de criação, chamado normalmente inglês ou standard,
além disso a sua genética é complicada com diversos
mecanismos aditivos quase impossíveis de controlar
sem conhecimentos das diversas gerações anteriores.
A isto junte-se a "misturada" genética
que 99% destas aves apresentam e que só
complica as coisas. Contudo, para o iniciado pode
ser aliciante ir desvendando os porquês
dessa mesma genética.
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Onde
encontrar as aves... |
Normalmente o local mais fácil
e onde a maioria das pessoas começa por procurar
aves são as lojas de animais. Infelizmente muitas
delas não fornecem bons serviços e dificilmente
se encontram lojas especializadas com pessoal
conhecedor do que vende. Algumas vezes estão misturadas
na mesma gaiola aves de famílias e hábitos totalmente
distintos o que como é lógico lhes causa grande
stress prejudicando a sua saúde. Adiante-se que
as lojas em que estão disponíveis
mais do que as três espécies referidas
já são, em muitos casos, uma excepção...
Nos mercados existem por vezes
vendedores e importadores com preços aliciantes
e alguns deles bem informados, temos de ter sempre
cuidado e procurar bem onde vamos comprar as nossas
aves. Se possível escolhemos de entre as poucas
lojas com bons serviços e que possam obter espécies
variadas, tal como exemplares em boas condições.
Apesar da beleza de muitas aves que podemos encontrar
nos livros e mesmo noutros criadores ou em exposições
de aves ser aliciante para qualquer amante de
aves, devemos sempre ter em consideração
a exigência de cada espécies e a
nossa disponibilidade para as manter em boas condições.
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Como
escolher as aves... |
Antes de mais devo dizer que a
escolha de uma ave pode não ser ditada só pela
sua condição física. Em alguns casos podemos escolher
uma ave com determinadas características por ser
o que procuramos para uma linha de reprodutores,
mesmo quando outras seriam mais "bonitas".
Neste aspecto, no artigos sobre genética
e melhoramente aprofunda-se mais este assunto,
definindo o que são aves de exposição
e aves de trabalho.
Não devemos comprar aves feridas
ou doentes. Observar durante algum tempo antes
de escolher é uma boa norma. Os bons vendedores
deixarão que se demore a escolher o exemplar que
mais nos intressa. Todas as aves pouco activas
com a cabeça debaixo da asa, ar mortiço, etc...
deveraõ ser excluidas. Especial atenção
ao comportamento do grupo de aves na mesma gaiola,
em especial no caso de aves importadas.
Quando procuramos uma dada ave
devemos escolher mais que uma e depois compará-las
com calma já fora da gaiola para termos a certeza.
Existem alguns truques para saber como está a
saúde da ave. Um deles é simplesmente puxar as
asas afastando-as do corpo, se a ave não as recolher
está fraca ou cansada, o outro é soprar a barriga
da ave levantando as penas para se poder obervar
a coloração dos intestinos. Quando esta zona está
suja e avermelhada podemos suspeitar de qualquer
infecção bacteriana que só se agrava com o stress.
Nesta situaçao também podemos observar
o estado físico da ave, notando a firmeza
dos músculos do peito e o aspecto do ventre
(não deve estar enrugado, sinal desidratação).
Mesmo assim as aves importadas
são quase sempre afectadas por algumas doenças,
especialmente a coccidiose, associada ou não
a formas de enterite. É sempre frustrante quando
depois de muita observação e escolha das melhores
aves num importador ou vendedor estas acabam por
morrer em pouco tempo. A coccidiose é um parasita
que existe quase sempre e em todas as aves nos
seus intestinos e que em condições de stress se
desenvolve muito rapidamente enfraquecendo a ave.
O grande problema é que uma vez que comece a desenvolver-se
é muito difícil de parar, mesmo com produtos potentes
para o efeito. Em 24 horas uma ave aparentemente
saudável pode morrer devido a este agente sem
que tenhamos tempo de a medicar.
Essencial na aclimatação
de novas aves é o uso de electrólitos
e mesmo fontes energéticas adicionais,
para permitir que esta reaja melhor ao stress.
Aqui o iniciado, que já terá lido
alguns livros sobre o assunto, dirá que nunca
compramos aves de gaiolas onde estejam outras
mortas, nunca compramos aves que não estejam em
perfeita condição de plumagem e por ai. Ora bem,
a única razão porque não vou sequer referir estes
aspectos é porque só alguém que não compre outras
aves senão periquitos e canários o poderá fazer.
E mesmo assim é pouco provável que
seguindo estas regras á risca chegue a
comprar alguma ave... As aves importadas raramente
estão em boa forma, um vendedor pretende sempre
ocupar o melhor possível o espaço e não terá concerteza
uma ou duas aves por gaiola. Assim estas condições
ideais, apesar de recomendáveis são praticamente
utópicas e só depois de passarmos algum tempo
por mercados e lojas iremos saber distinguir as
aves em mau estado das outras que ainda estão
em condições. Todos estes conselhos ficariam muito
bem em qualquer livro mas são na maioria das vezes
perfeitamente inúteis.
São uma honrosa excepção
os verdadeiros vendedores de aves, altamente especializados
que podemos encontrar no norte da europa Nestas
casas encontramos normalmente alojamentos e condições
muito diferentes dos nossos mercados e lojas.
Normalmente também trabalham com aves de
qualidade muito acima da média, pelo que
o método de trabalho é muito mais
profissional.
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As
Lojas... |
Uma loja de animais dificilmente
se pode especializar em aves. Embora as boas lojas
tenham um mercado perfeitamente garantido entre
os criadores. Não faz sentido vender aves caras
numa zona onde não existam muitos interessados
nelas. Além disso muitas vezes coisas básicas
como o tipo de alimentação na loja, quantidade
de aves por gaiola, tamanho da gaiola e outros
não são os melhores. Mesmo assim existem boas
e más lojas, cujos nomes, como é lógico,
não vou referir por questões óbvias. O importante
será ter confiança numa dada loja o que acaba
por se tornar mútuo pois um bom cliente é quase
sempre bem servido, em alguns casos mesmo que
a ave morra passado pouco tempo a loja assumirá
a responsabilidade e trocará por outra, nem que
seja por um preço simbólico. Isto é mais importante
não pelo dinheiro em si mas pela confiança que
dá ao cliente.
Certamente que qualquer criador
deverá evitar adquirir aves em lojas onde
os funcionários não demonstrem um
mínimo de conhecimento sobre as aves que
têm para venda.
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Os
criadores, amadores ou profissionais... |
Sem querer "vender o meu
peixe", este é o melhor método para comprar
aves. De início será difícil que o principiante
tenha os conhecimentos e contactos necessários,
mas frequentando exposições e inscrevendo-se num
clube local rapidamente faz contactos com outros
criadores. Muitas vezes pode até acontecer que
se consiga trocar algumas aves por outras, o que
só traz vantagens. Afinal até somos um
país pequeno...
Um criador pode fornecer algumas
garantias sobre o estado sanitário da ave e informação
sobre a sua genética. Além disso, principalmente
se esse criador fizer selecção (o que é imprescendível
a qualquer bom criador/expositor) torna-se mais
fácil adquirir bons exemplares e podemos assim
melhorar as nossas linhas mais rapidamente. Uma
ave comprada num vendedor ou numa loja tem de
ser testada em reprodução e pode por vezes nunca
nos dar crias muito boas de determinada variedade
apenas porque não sabíamos a sua genética. Por
exemplo um dos primeiros mandarins que eu comprei
criou comigo durante dois anos produzindo sempre
crias normais. Um dia por uma razão que já não
recordo decidi acasalá-lo a uma fêmea branca e
para meu espanto descobri que este macho era portador
de branco, sendo algumas das crias produzidas
bastante boas.
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Importadores... |
Os importadores recebem pássaros
selvagens capturados no seu pais de origem. (As
espécies indígenas são protegidas e a sua captura
e venda é proibida por lei). Para algumas espécies
que não são criadas vulgarmente esta pode ser
uma hipótese válida, mas as mortes são quase sempre
muitas. Existe a vantagem relativa de se ter no
mínimo algumas centenas de aves de onde escolher
mas todas demoram tempo a adaptar-se ao cativeiro
e são mais sensíveis que outras nascidas a criadores.
Além dos problemas já referidos com doenças, a
adaptação é muito exigente, são aves sujeitas
a mudanças alimentares bruscas e outros factores
adversos. Mesmo assim tenho de admitir que este
é um modo válido para adquirir espécies que são
pouco criadas e que têm mesmo assim preços de
importação muito baixos. Eu comecei com aves quase
sempre importadas e com as dificuldades que estas
oferecem para criar fui conseguindo adaptar algumas
e obter crias bastante mais fortes e robustas
que agora são, na verdade, mais fáceis de reproduzir.
Adiante-se que a maioria das lojas vende aves
importadas que compra nos importadores e depois
vende com uma certa margem. Conhecendo alguns
importadores podemos estar ao corrente de importações
de aves que nos interessem e torna-se mais fácil
a escolha se estivermos presentes na altura em
que estes as recebem. Como um amigo meu uma vez
me disse a melhor altura para comprar aves importadas
é ou na chegada ou passadas 2 ou 3 semanas. Deste
modo as que não morreram com o transporte e chegada
e estejam em boas condições podem ser compradas
imediatamente e tratadas nas melhores condições,
o que o importador poucas vezes pode fazer, ou
então deixaremos passar o tempo para que todas
as doentes adoeçam ou morram ficando as saudáveis.
Desde o final de 2001 que a importaçãod
e aves na EU segue novas leis, incluindo a obrigatoriedade
de uma quarentena de 30 dias. Esta alteração
veio melhorar consideravelmente a qualidade das
aves quando chegam aos criadores, após
a quarentena. Não é bonito de dizer e certamente
que não gosto do modo como estas aves são tratadas
mas é a realidade e só trabalhando a partir destas
aves podemos obter outras, criadas em cativeiro
que tornem desnecessária a importação. Mas isso
talvez um dia quando se deixar de criar aves "económicas"
e os criadores se dedicarem às espécies que realmente
precisam de ser criadas em cativeiro...
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As
exposições de aves... |
Em quase todas as exposições encontramos
aves para venda. Claro que aqui uma ave bem pontuada
irá ser valorizada e é mais cara mas pode bem
valer a pena pagar o preço! Convém aliás que o
principiante se convença disto (não estou a fazer
publicidade!!!), trabalhar com boas aves pode
poupar muito trabalho e dinheiro, as crias são
quase sempre melhores do que usando aves de qualidade
discutível, mas preços mais baixos. Obviamente
que o valor, neste caso, estará sempre
dependente da necessidade e interesse que o criador
tenha naquela ave.
As exposições são acima de tudo
um local onde os criadores podem mostrar o que
têm e fazer contactos com possíveis intressados
nas suas aves. Adquirir um catálogo pode
ser um meio de. no futuro, poder recuperar a informação
sobre a exposição e contactar criadores
de espécies que nos interessem.
Um outra vantagem é precisamente
a classificação das aves, feita por juízes especializados,
que dá ao comprador a hipótese de comparar as
diversas opções e escolher a melhor pois tem um
termo de comparação para a qualidade da ave, o
que é muito difícil de "calibrar" sem
as classificações. Pessoalmente tenho que admitir
que esta classificação nem sempre é objectiva,
pois é feita segundo um estalão ou "standard"
definido para aquela espécie em que é pontuado
o tamanho, marcações, cores, postura e outros
factores consoante a espécie, daí que nem sempre
a ave que nos parece mais bela seja a mais pontuada.
Todavia todas as actividades de exposição são
assim e o termo de comparação deve ser o mesmo
para todos, independentemente de aceitarmos o
standard ou não é ele que dita as regras e portanto
a nossa selecção deve ser feita nesse sentido.
Como não expomos todas as aves podemos sempre
deixar algumas que gostemos mais mas que não se
enquadrem no standard.
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Comprar
aves a criadores estrangeiros... |
Este é uma área que já envolve
criadores muito especializados e dificilmente
surge ao principiante. As primeiras aves que eu
recebi do estrangeiro foram um casal de chapins
de bigode, que sempre foram uma das minhas espécies
preferidas, mas nesta altura já tinha algum tempo
de criação e experiência com outras aves. São
aves geralmente caras mas que de outro modo não
conseguiriamos adquirir pois ou não são criadas
no nosso pais ou então não podem se exportadas
sem registos próprios. Existem diversos mercados
e associações no estrangeiro (o de Antuérpia será
bastante conhecido) onde a variedade é imensa.
Aqueles que o poderem fazer terão ai uma excelente
oportunidade de encontrar aves diferentes do habitual
a preços por vezes aliciantes.
Eu sou membro da WFS (Waxbill
finch Society), uma associação que se dedica a
estrildídeos de várias espécies, o que é um método
muito bom para conhecer criadores estrangeiros
e até mesmo conseguir algumas aves através de
outros conhecidos que vem até ao nosso país ou
vão lá, mas como disse não é fácil e totalmente
desnecessário para as espécies mais correntes.
Só por curiosidade em algumas
exposições (realço a AVISAN, em Santarém) aparecem
criadores estrangeiros com aves intressantes e
o campeonato do Mundo, quando se realiza mais
perto pode muito bem merecer uma visita de dois
ou três dias em que não se exclui a hipótese de
regressar com algumas aves, em 2001 realizou-se
em Portugal, e certamente haverá outras
iniciativas internacionais.
Por exemplo algumas espécies indígenas
são vulgarmente criadas em países do Norte da
Europa onde os preços para aves registadas e devidamente
legalizadas são bastante acessíveis, todavia implica
que tenhamos a disponibilidade de nos deslocar
lá e as condições para fazer uma viagem longa
com aves. Existem mutações que embora raras ou
inexistentes entre nós são vulgares noutros países,
para alguém que faça selecção bastam uma ou duas
destas aves para ter algo totalmente novo. A nível
de qualidade a competitividde nestes países
é muito mais acesa, pelo que o nível
de exposição é normalmente
superior, e podemos assim adquirir exemplares
de qualidade muito acima da média.
O envio de aves por correio ou
serviços expresso é um pouco complicado embora
seja possível em alguns casos (especialmente Portugal-Espanha).
Aos interessados fica o conselho de se informarem
muito bem sobre os procedimentos necessários e
as leis em vigor nos países de origem e destino
das aves. Geralmente envolvem periodos de quarentena
de algumas semanas durante os quais as condições
não serão as melhores. Para deslocações
dentro da UE, as regras são menos rígidas,
devendo sobretudo verificar-se o estatuto CITES
das espécies a movimentar e garantir a
existência de documentos (certificados veterinários
e facturas de origem).
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