Este será um aspecto controverso. Temos de
saber distinguir entre doenças fisiológicas e patológicas.
No caso das primeiras a causa responsável será uma questão
ambiental como uma alimentação incorrecta, mau alojamento,
falta de limpeza enquanto as outras serão causadas por agentes
patogénicos que, quer gostemos quer não, existem e fazem parte
dos ciclos naturais.
Como parece lógico não podem ser combatidas
do mesmo modo, pelo que depende do criador saber o que se
passa e qual o remédio. Geralmente as doenças nas aves têm
uma evolução de tal modo rápida que se torna complicado agir
atempadamente. Muitas vezes não conseguimos sequer que a ave
beba a medicação. Isso, juntamente com a falta de veterinários
especializados em aves faz com que muitas das vezes se percam
aves que poderiam ser salvas. Dito isto todos os que desejarem
iniciar-se nesta actividade deverão ter em mente que a prevenção
é o melhor meio de evitar as doenças. Com a experiência e
troca de conhecimentos irão aprendendo como reconhecer algumas
doenças comuns e como actuar, que remédios usar, etc... Mas
sem dúvida que irão sempre sofrer algumas perdas.
Para o iniciado este será um grande problems
e é sem dúvida onde mais pessoas perdem o entusiasmo inicial
e desistem. Temos de nos capacitar de que um criador com alguns
anos de experiência já perdeu concerteza bastantes aves até
conseguir chegar aquele ponto. Ninguém tem 100 ou 200 aves
sem secalhar ter perdido outras 50 aolongo dos anos! A grande
diferença está na "calibragem" do criador, no facto
de este ser capaz se reconhecer muito cedo qualquer factor
anormal nas suas aves e já ter os conhecimentos e meios para
actuar rapidamente. Um principiante não compra um casal de
canários ou outra qualquer ave, a gaiola, a comida e mais
5 ou 6 medicamentos, suplementos, gaiolas hospital, seringas
e por ai fora... Essas coisas vão entrando no dia a dia conforme
se vai avançando e vai havendo necessidade de as usar, até
porque não são nada baratas. Um antibiótico ou um bom suplemento
vitamínico facilmente custa umas largas dezenas de euros.
Com o tempo apercebemo-nos das pequenas coisas
que denunciam uma ave em pior forma, cabeça encolhida, pouco
activa, fezes diferentes, trocamos impressões com outros criadores
e amigos, experimentamos este ou aquele tratamento, alguns
funcionam e vamos andando assim até uma altura em que as coisas
ficam mais ou menos controladas. Eu ando nisto apenas à vários
anos e não tenho dúvidas em afirmar que sei muito mais do
que sabia na altura, perdi algumas aves pelo caminho, mas
agora já terei mais meios e conhecimentos que facilitam as
coisas quando acontece algo fora do normal. Sobretudo é
essencial chegarmos ao ponto em que podemos estabilizar o
nosso efectivo, evitando entradas constantes de aves nas instalações.
Para mais, identificar as aves doentes é só
o princípio do problema, depois de sabermos que a ave está
doente falta saber com o quê e depois qual a medicação adequada.
Nesta altura lembro-me de recorrer a algumas lojas e descrever
os sintomas a pessoas que afinal sabiam tanto como eu e depois
usar medicamentos para problemas respiratórios quando devia
tratar enterites ou vice-versa. Todas as descrições que lemos
nos livros identificam o nosso caso, pensamos que a pobre
ave está atacada de tudo ao mesmo tempo, mas é assim mesmo,
este é um dos pontos em que temos de aprender às nossas custas,
mas depois de lá passarmos aprendemos o que fazer.
O único conselho que se pode dar a quem estiver
mesmo intressado em começar nesta actividade é que tente conhecer
outros criadores ou inscrever-se num clube o mais cedo possível
pois assim poderá usar alguma da experiência dessas pessoas
que prontamente o ajudarão. Isto e tentarmos adquirir aves
da melhor qualidade possível pode poupar alguns contratempos.
É essencial que qualquer criador compreenda
o funcionamento das doenças num efectivo. Não
devem ser tratadas mas sim prevenidas de mdo consciente. Quando
se fala em prevenção não deve ser interpretada
como dar medicação para todos os problemas que
poderiam surgir se eles não existem!! Uma prevenção
consciente é baseada em análises regulares,
nas alturas mais importantes e atempadamente que nos permitam
intervir antes de surgirem problemas. Mesmo assim é
muito provável que surjam sempre, pontualmente, situações
de doença. Nesses casos importa agir rapidamente focando
sempre o efectivo e não a ave individual. A boa saúde
das restantes 99 aves é sempre prioridade face à
ave doente.
A quarentena é um período durante o qual podemos
observar as novas aquisições e procurar qualquer anormalidade
ou sinal de doença. Muitas vezes caimos na tentação de dizer
que está tudo bem e soltar a ave logo nos viveiros com a impaciência
de a ver voar para dias depois ter de a retirar devido a uma
qualquer doença. Adquirindo aves directamente a criadores
este factor é menos importante, mas nunca o deveríamos esquecer
pois não só é neste periodo que a ave se ambienta como também
as outras aves se habituam a ela. Quando finalmente nos asseguramos
que tudo está bem podemos introduzir a nova ave e observar
o seu comportamento e os dos outros. Muitas vezes há dificuldades
em encontrar a comida e a água portanto devemos espalhar algumas
sementes no chão e colocar um prato com água porque é no solo
que instintivamente as aves procuram a sua comida.
Por outro lado existe algo que contraria isto,
em particular com as importações. Uma ave importada entra
facilmente em stress quando é deixada numa gaiola, enquanto
que, muitas vezes se estiver com outras aves num viveiro acalma-se
muito mais depressa. Já me aconteceu adquirir aves que adoeçeram
alguns dias depois e que estavam tristes sem responderem a
tratamentos e que colocadas num viveiro com outras aves (eu
sei que não se faz...) rapidamente voltaram a estar em boas
condições e puderam então ser tratadas com mais calma. É um
grande risco, sem dúvida, mas nem tudo o que é suposto funcionar
funciona na prática e devemos pensar que as aves não
lêem os mesmo manuais que os seus criadores...
É parte de qualquer bom sistema de
maneio realizar uma quarentena adequada. Este procedimento
será muito mais simples se estruturarmos as nossas
épocas de criação. Isto evita que se
introduza uma ave proque é bonita ou até de
qualidade quando as outras estão em plena criação.
As entradas devem ser programadas e realizadas época
a época. Não quer dizer que só se comprem
aves 2 semanas por ano, quer dizer que, no grupo de aves reprodutoras
só entram aves devidamente preparadas e que passem
pela quarentena. Quando iniciarmos a preparação
de todo o grupo para a época seguinte estas já
devem estar integradas.
Vamos antes de mais esclarecer que existem
dois grandes tipos de tratamentos: preventivos e curativos.
Com o primeiro tenta-se eliminar possíveis
causas de doença. É costume por exemplo antes da época de
criação tratar as aves com antobióticos para eliminar ou controlar
agentes que afectam a postura e fertilidade como a salmonella
e a E.coli. É um pouco aplicar a expressão "mais vale
prevenir que remediar".
Alguns criadores usam programas mensais ou
até mesmo semanais de tratamento, por vezes totalmente despropositados.
Como é lógico toda a mediação deve ser usada com cuidado e
quando necessário, em particular os antibióticos pois as resistências
surgem mais facilmente do que se pensa. Não é preciso levar
as coisas ao extremo, estabelecer um programa de medicação
é bom, mas alguns que por vezes se recomendam são absolutamentes
desnecessários. Não é benéfico para uma ave durante um mês
receber todos os dias antibióticos e vitaminas, qualquer esquema
profilático deve ser feito com racionalidade, quase sempre
num sistema 3-2-3 ou 5-3-5-2, o que significa que são dados
3 dias de medicação, 2 de água limpa (ou probióticos) e novamente
3 de medicação devendo nos dias seguintes usar-se vitaminas
do grupo B + probióticos.
Por outro lado acções curativas devem ser
feitas com atenção e só sobre as aves doentes. Envolvem geralmente
tratamentos que por vezes são duros e é portanto desnecessário
sujeitar as aves saudáveis ao mesmo processo. Deve sim ser
feito um tratamento preventivo às restantes. Os únicos tratamentos
que eu faço a todo o efectivo são na preparação para reprodução
e muda envolvendo antibioterapia e desparasitantes conforme
resultados dos exames veterinários. A partir dai sigo um plano
de maneio e suplementação e qualquer ave que esteja doente
é imediatamente suspensa da reprodução até estar totalmente
recuperada, mesmo que isso implique separar os casais e perder
algumas crias, como em princípio todas as aves que temos em
reprodução deverão ser de boa qualidade serão portanto, geneticamente
importantes para o efectivo e perder uma pode por vezes atrasar
meses a nossa selecção, mais do que perder crias que não temos
a certeza do que serão.