Gaiolas e Viveiros

Manter as aves em gaiolas indivíduais requer alguns cuidados em especial devido ao espaço reduzido que lhes fornecemos, mas os viveiros comunitários também têm inconvenientes.

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O que escolher: gaiolas ou viveiros?

Antes de mais intressa saber que existem vários tipos de gaiolas e nem todas têm o mesmo fim. As gaiolas circulares por exemplo são desaconselhadas para manter aves e certamente nunca deverão ser usadas para a reprodução, porque as aves podem sofrer de vertigens pelo pouco espaço disponível e pela própria forma da gaiola.

Quando optamos por gaiolas devemos estar conscientes da razão porque o fazemos. Algumas espécies aceitam mais facilmente que outras estas condições. Se a razão principal é o espaço então devemos também escolher espécies que se dão bem em gaiolas. Um casal de canários está perfeitamente à vontade numa gaiola viveiro de 50cm ou até menos, mas um casal de tecelões ou estrildídeos muito dificilmente se adaptaria a esta situação.

Uma gaiola é quase sempre indicada para um único casal. Claro que poderemos juntar numa gaiola de 75cm mais que um casal, mas será melhor manter um casal separado, até porque a maioria das espécies pode nidificar em semi-colónias de 3 casais ou mais mas não se adapta bem a apenas 2 casais no mesmo espaço. Por outro lado num viveiro podemos juntar diversas espécies e dar às aves melhores condições de exercício melhorando o seu estado físico. Quem já teve a oportunidade de ter ou ver um viveiro comunitário com algumas dezenas de aves certamente se apercebeu da quantidade de relações e acontecimentos que nunca sucedem numa gaiola.

Quanto a mim a escolha depende principalmente do espaço disponível e das espécies que se pretende ter, mas sempre condicionando uma com a outra, não faz sentido construir um viveiro exterior para criar um casal de canários ou periquitos, mas por outro lado se gostamos de estrildídeos ou insectívoros o melhor será desistir das gaiolas.

 

Gaiolas vs. Viveiros

Uma gaiola permite menos espaço para exercício, mas dá mais privacidade ao casal de aves. Só com gaiolas podemos fazer um selecção dos casais e ir melhorando a qualidade do nosso efectivo, num viveiro é quase impossível sermos nós a formar os casais e estes podem mesmo mudar várias vezes. Mas usando gaiolas podemos com o mesmo espaço ter muito mais aves porque a territorialidade não é problema, além disso o controle dos casais é mais rigoroso e fácil.

A limpeza das gaiolas é mais fácil, mas tem de ser mais frequente porque num viveiro o espaço disponível acaba por reduzir a carga de resíduos e detritos.

Quando mantidas num viveiro exterior as aves estão sujeitas às condições normais de temperatura, humidade, luz, etc... acabando por ter um ciclo reprodutivo mais normal do que em gaiolas, além disso estão em muito melhor forma e por isso exigem menos cuidados com alguns factores. Tenho um casal nestas condições que insiste em criar continuamente à cerca de dois anos tendo já produzido cerca de 12 ninhadas sempre com resultados muito bons e uma média de 5,4 ovos e 5,1 crias por ninhada... Concorde-se ou não os valores falam por si.

Em conclusão, eu posso dizer que uso os dois sistemas deixando em cada um deles as espécies que melhores resultados dão. No meu caso os estrildídeos como bicos de lacre, face-laranja, peito-de-fogo e outras espécies pequenas estão num viveiro exterior com 8m de comprimento x 3 m de largura e 2,5m de altura (ainda em construção). Neste viveiro estão vários arbustos e um abrigo onde são colocados a maioria dos ninhos, comedouros e bebedouros. De dois viveiros com mais 2 m de comprimento cada, um aloja uma colónia de tecelões de bico vermelho, viúvas e alguns fringilídeos europeus juntamente com alguns africanos. O outro tem alguns dos psitacídeos em particular os Agapornis. Com estas aves não faço qualquer selecção além de escolher bons reprodutores. Um outro viveiro de 8m de comprimento por 4 de largura e 2 de altura terá todos os insectívoros com um chão de terra (também em construção)e um outro semelhante ao primeiro mas com apenas 6m de comprimento está reservado para as crias e preparação dos reprodutores. Esta é uma imagem dos meus viveiros exteriores, antes da construção dos viveiros de 8m para os insectívoros e estrildídeos, que será já durante a época de 2001.

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Nas gaiolas estão todo o ano os Mandarins e bengalins e, conforme a época de reprodução, os Diamantes (Babetes, Goulds, papagaios), ou então os fringilídeos e algumas outras espécies mais reservadas. Qualquer selecção é feita nestas gaiolas, que deste modo estão em uso todo o ano com os devidos cuidados de desinfecção.

 

Gaiolas

O principal tipo de gaiola que nos intressa é a gaiola de criação ou gaiola viveiro. Alguns criadores optam por comprar gaiolas modulares que podem ser empilhadas formando baterias com capacidade variável, outros constróem as suas gaiolas. Não vale a pena discutir qual o melhor método. Pessoalmente optei por construir aquelas que achei deveriam ter dadas características específicas para o que eu pretendia fazer e comprar outras para espécies mesmo exigentes.

As normas básicas para as gaiolas são permitir fácil acesso ao interior, ter uma grade e tabuleiro no fundo para que as aves não pousem nos detritos e poleiros afastados para obrigar ao vôo. As dimensões são variáveis o que eu uso é (frente x fundo x altura):

Mandarins, bengalins, babetes e canários - 76cm x 30cm x 35cm (divididas em duas)

Fringilídeos Indígenas - 90cmx 55cm x 40cm (viveiro interior divisível)

Diamante-Gould, Fringilídeos exóticos -100cm x 40cm x 40cm  ou                                                             -100cm x 60cm x 60cm

Com algumas gaiolas podemos dividir no sentido do comprimento, o que permite separar as crias ou os machos mais agressivos. Eu gosto de gaiolas espaçosas, alguns dirão que um casal de mandarins não necessita de mais do que 30cm, o que até é verdade, mas mesmo assim prefiro este sistema a ter mais aves. Para mais os dois adultos estão bem em 30 mas quando saem 6 crias do ninho o espaço é manifestamente insuficiente. Assim uso estas gaiolas de 35cm apenas para aquelas espécies que selecciono pois é necessário ter muitos casais, todas as outras estão em gaiolas espaçosas de 90 cm ou 1m.

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Outras coisas que são boas numa gaiola é o espaço para pendurar o ninho no exterior e a banheira, o que facilita em muito o serviço das gaiolas. Para os Goulds uso duas portas que servem para o ninho e banho mas na altura em que os pais deixam de alimentar um ninhada e voltam a construir ninho coloco dois ninhos na gaiola para que não haja conflitos com as crias. Além disso, assim o casal pode optar entre os dois ninhos escolhendo o que mais lhe convém.

 

Viveiros

Ver as aves num viveiro exterior com plantas e ramos é certamente muito mais bonito, mas nem sempre é o mais eficaz. Para espécies exóticas coloniais um viveiro bem plantado é o ideal mas para um cardinalito talvez não seja a melhor opção, isto claro se tivermos em vista a sua reprodução.

As dimensões de um viveiro são muito simples, quanto maior melhor pois são geralmente estruturas definitivas e relativamente sólidas. Apenas está limitado pelo espaço disponível e pela disponibilidade económica do criador. De um modo geral pode alojar qualquer espécie mas devemos ter em conta a agressividade de algumas delas e escolher aquelas que facilmente aceitam companhia.

As regras de ouro dos viveiros são dispor de um abrigo para a chuva e ventos frios (fechado ou não), uma porta dupla para segurança e estar virado para nascente (Este).

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O chão deve ser feito de cimento com uma ligeira inclinação para permitir a escoagem das chuvas. A cobertura de cimento impede a passagem de ratos e cobras. Por cima do cimento uma camada de areia ou mesmo terra fará um bom efeito, mas a terra é mais difícil de limpar. Os insectívoros preferem solos de terra onde podem procurar pequenos insectos e sementes que germinem, para os granívoros a areia serve, até porque os auxilia na digestão.

A colocação de poleiros é simples se usarmos ramos de árvore ou até mesmo árvores verdadeiras, o que seria ideal. Atenção que apanhar uma ave no seu ambiente é uma tarefa complicada e num viveiro demasiado grande pode dar muito trabalho, para mais se plantado!! A altura não necessita de ser mais de 2 ou 3 metros e caso se aumentem as dimensões devemos construir o abrigo de modo a que possa ser fechado com as aves lá dentro para as apanhar.

Um viveiro torna necessário uma vigilância quase constante do que se passa no seu interior e quanto mais diversificadas forem as espécies pior. De uma maneira geral podemos optar por uma família e ter um viveiro de aves africanas como tecelões, degolado, bico-chumbo, alguns estrildídeos. Geralmente estas aves dão-se bem em grupos e não surgem grandes problemas, mas devemos sempre ter cuidado ao juntar novos elementos ao grupo pois as posições e escala hierárquica, ainda que nos passe despercebida são muito complexas e levam tempo a definir. É sempre preferível tentar introduzir todas as aves ao mesmo tempo do que introduzir pouco a pouco novas espécies. A confusão inicial pode ser mais intensa, mas na verdade quando se acaba por establecer a escala social dentro do viveiro (o que demora umas duas a três semanas) tudo se equilibra.

 

Viveiros de preparação

Mesmo usando gaiolas é sempre bom dispor de um viveiro, mesmo interior, onde se podem colocar crias ou preparar aves para a reprodução.

Uma ave em boa forma física tem um melhor desempenho reprodutivo, pelo que só beneficia se passar a época de repouso num viveiro espaçoso. O mesmo acontece com as crias que se desenvolvem melhor quando são separadas para um viveiro grande.

Para complementar as gaiolas podemos construir um viveiro com as dimensões aproximadas de 1-2m de comprimento por 1m de fundo e 2m de altura, que já será suficiente. Claro que algo maior seria preferível, mas julgo não valer a pena investir muito dinheiro numa estrutura que apenas tem um uso temporário e estas dimensões são decididamente melhores do que manter as crias em gaiolas normais. O meu viveiro interior tem 2m de comprimento 60cm de fundo e 1,90m de altura, podendo ser dividido em dez gaiolas de 90cm de frente por 60cm de fundo e 40cm de altura, que uso geralmente para os fringilídeos.

Aqui ficarão as aves quando é terminada a época reprodutiva para recuperarem a boa forma física. Além disso por estarem todas juntas dá-se uma competição por parceiros sexuais o que melhora a vontade de criar quando chega a época seguinte. Sò com espécies que possam criar todo o ano devemos alojar machos e fêmeas em separado porque um casal que comeca a criar no meio destes viveiros pode criar alguns problemas. Com espécies sazonais esta situação não se coloca.

Para as crias também é vantajoso porque podem ficar aqui até serem vendidas ou trocadas, aquelas que escolhemos como reprodutores ficam para o ano seguinte. Assim que sairem todas as crias juntamos os reprodutores neste viveiro para passarem o Inverno. O método que eu mais gosto é um pouco diferente mas só no fim desta época poderei comparar os resultados. Neste caso vou fazer o inverso e deixar as crias dentro deste viveiro interior enquanto os reprodutores são colocados num viveiro exterior para a muda onde as condições são muito mais naturais.

Isto acaba por ajudar ao combate de doenças funcionando como vazio sanitário das gaiolas de reprodução pois se não existem lá aves os microrganismos não podem sobreviver e a desinfecção torna-se mais eficaz. No caso do viveiro estará limpo até às primeiras crias o que geralmente significa 1-2 meses desde a saída dos reprodutores.

© Copyright,2001-2001 Ricardo Pereira